"Pare, leia, reflicta, aja.
Cai o pano, recolhem-se os actores, resigna-se o público. Este é sempre o cenário pós-eleitoral possível.
E isto com uma periodicidade, a todos os níveis, desgastante.
Agora, em termos autárquicos, aproximam-se quatro anos bem necessários para arrumar a casa e as ideias. Sobretudo estas, porque, por exemplo, eleger candidatos a braços com a Justiça é mesmo uma questão complexa de ideias e... cabeça.
Depois, a quatro anos de distência, há uma evidência a não desprezar: cerca de metade dos 305 actuais presidentes de câmaras municipais, por força da lei vigente, não pode recandidatar-se. Foi preciso, assim, fazer legislação própria para afastar estes homens do poder a que se agarram como lapas aos rochedos (ainda se queixam de Salazar). O que é vergonhoso, deprimente e perigoso.
Deprimente, perigoso e vergonhoso para a forma de fazer política e exercer a democracia. Obviamente sem alternância e diálogo e muita demagogia, retórica e populismo.
E se estes 33 anos de poder autárquico, na maioria dos casos, voltados foram para o exterior (necessidades básicas, betão, asfalto, estradas, auto-estradas, obras de fachada) os próximos 33 devem forçosamente voltar-se para o interior (pessoas, bem-estar, qualidade de vida, ambiente,
património, segurança, cultura).
Braga vive, há 33 anos, uma gestão autárquica voltada essencialmente para o exterior, unipessoal e rural e a que os resultados eleitorais do passado dia 11 não puseram fim. Mas, o projecto da desejada mudança não venceu, apenas, por uma unha negra, e, por isso, se mantém como uma janela aberta, de esperança para o futuro.
E porque a cidade (a vida de todos nós) precisa desse projecto de futuro vencedor, os próximos quatro anos dedicados devem ser ao seu aprofundamento, reestruturação e crescimento. O que claramente nos faz mais juntos por Braga."
Cai o pano, recolhem-se os actores, resigna-se o público. Este é sempre o cenário pós-eleitoral possível.
E isto com uma periodicidade, a todos os níveis, desgastante.
Agora, em termos autárquicos, aproximam-se quatro anos bem necessários para arrumar a casa e as ideias. Sobretudo estas, porque, por exemplo, eleger candidatos a braços com a Justiça é mesmo uma questão complexa de ideias e... cabeça.
Depois, a quatro anos de distência, há uma evidência a não desprezar: cerca de metade dos 305 actuais presidentes de câmaras municipais, por força da lei vigente, não pode recandidatar-se. Foi preciso, assim, fazer legislação própria para afastar estes homens do poder a que se agarram como lapas aos rochedos (ainda se queixam de Salazar). O que é vergonhoso, deprimente e perigoso.
Deprimente, perigoso e vergonhoso para a forma de fazer política e exercer a democracia. Obviamente sem alternância e diálogo e muita demagogia, retórica e populismo.
E se estes 33 anos de poder autárquico, na maioria dos casos, voltados foram para o exterior (necessidades básicas, betão, asfalto, estradas, auto-estradas, obras de fachada) os próximos 33 devem forçosamente voltar-se para o interior (pessoas, bem-estar, qualidade de vida, ambiente,
património, segurança, cultura).
Braga vive, há 33 anos, uma gestão autárquica voltada essencialmente para o exterior, unipessoal e rural e a que os resultados eleitorais do passado dia 11 não puseram fim. Mas, o projecto da desejada mudança não venceu, apenas, por uma unha negra, e, por isso, se mantém como uma janela aberta, de esperança para o futuro.
E porque a cidade (a vida de todos nós) precisa desse projecto de futuro vencedor, os próximos quatro anos dedicados devem ser ao seu aprofundamento, reestruturação e crescimento. O que claramente nos faz mais juntos por Braga."
Por Dinis Salgado, "Nortadas"
in Diário do Minho, 21/10/2009
3 comentários:
Vamos por partes. Em primeiro lugar, reconhecer a vitória do PS: ganhou as eleições para a Câmara Municipal de Braga, o objectivo número 1 destas eleições aqui na cidade.
O povo votou na continuação da política socialista, confiou-lhe o seu voto e este resultado tem de ser, naturalmente, respeitado.
Em segundo lugar, pela minha parte, comecei, ainda ontem, a trabalhar para vencer o PS nas próximas eleições autárquicas.
Por fim - e o mais importante - quero dar os meus parabéns ao Dr. Ricardo Rio!
É verdade que a Coligação "Juntos por Braga" tinha alguns defeitos, não digo que não. Mas, o que eu acho que deve ser sublinhado é o empenho e a dedicação do Ricardo Rio: absolutamente notáveis!
Houve um enorme esforço da sua equipe, houve um trabalho sério, dedicado e competente, por todas as freguesias, a campanha eleitoral foi muito boa e o discurso do candidato a Presidente da Câmara tinha muita qualidade. E, tudo isto, deve ser sublinhado e reconhecido: é política de grande qualidade (o que é bom para Braga).
Mais, é importante realçar isto: Ricardo Rio tinha (e tem) razão!
É certo que o PS ganhou, mas é trágico. Porque foi escolhida a pior política e a pior equipe (facto estranho...). Por exemplo, em Lisboa, a situação não é dramática. É certo que o Dr. António Costa será um bom Presidente da Câmara e até tem um vereador de luxo, o arqº Manuel Salgado. E, portanto, ganhou - como podia ter ganho o Dr. Pedro Santana Lopes - não é drama nenhum.
Em Braga não foi assim.
Ganhou a pior política - objectivamente má e incompetente - e perdeu o melhor candidato. É uma pena.
Dr. Ricardo Rio, tem o meu apoio. Vamos continuar nesta luta por tornar Braga uma cidade melhor!
Nuno Oliveira Dias,
militante do CDS.
Caro Dr. Rio, que bem que me sabe visitar o seu blog enquanto saboreio um café. Felizmente o meu amigo escreve o que pensa.
A cidade de Braga está escura e chove, por sinal bastante. Os homens de cabeça tranquila dormirão, outros terão pesadelos e tremerão.
A vida só vale a pena se vivida com dignidade. O resto pouco importa. E para viver com dignidade temos que lutar por ela!
FORÇA!
Dinis Salgado maravilha-nos com a sua prosa. É um homem de uma lucidez e coerência invejável. Para ele e para o Diário do Minho o nosso abraço!
Enviar um comentário